Terceiro Sinal


Festival de Curitiba

Esta é minha oitava vez aqui no Festival de Curitiba e a cada ano me surpreendo. Pela quantidade (cada vez maior) e, sobretudo, qualidade das montagens que aqui se apresentam. Seja na Mostra Oficial, no Fringe ou nas dezenas de outras mostras paralelas que integram o evento. Escolher o que ver é quase uma tortura. Tem a peça daquele diretor incensado; tem a peça daquela turma que bancou tudo sem patrocínio nenhum; tem o espetáculo que o amigo já viu e disse que é imperdível; e, claro, tem o espetáculo dos amigos. Ainda tem as montagens de cidades distantes, as com atores globais; as escritas por jovens dramaturgos; as releituras dos clássicos; o teatrão, o expeimental, o alternativo e o conceitual. Enfim, ao longo desses oito anos em que estive por aqui, já estabeleci e abandonei dezenas de critérios de escolha, porque, no fim, não importa quem tenha sido o eleito, sobra sempre a sensação de angústia pelo preterido. E assim será, durante este Festival e durante a vida. De toda forma, é sempre uma alegria estar aqui. E foi com tudo isso em mente que fiz as duas primeiras escolhas.

 

 

 

Primeiro dia (29/03)

"1º Movimento" e "Escravas do Amor"

"1º Movimento" integra a mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos e segue à risca a proposta na qual se inseriu. Texto enxuto. Mas, apesar do argumento interessante, deixa a sensação de obra inacabada. Talvez isso seja proposital e talvez, como numa sinfonia, esse seja só um entre os trechos que vão compor a peça toda. De todo modo, o desfecho, que deveria surpreender, é anunciado antecipadamente na sinopse do guia de programação. A atuação de Gizah Ferrerira e Kenny Rogers Closs merece ser citada e tem como ponto alto a cena do interrogatório.  Gostaria de ver mais e conhecer melhor o trabalho da Companhia Café com Leite.  

 

"Escravas do Amor" vem do Rio de Janeiro e homenageia o centenário do Nelson Rodrigues, se encaixa no quesito releituras de clássicos e num outro que não mencionei acima, o de trupe de teatro muito importante cuja trajetória merece um olhar atento. Levei este olhar para o Guaíra e o mantive alerta pelos cerca de 100 minutos que duram a montagem. O elenco afinado tem empatia total com o público e conduz o espectador com a malícia carioca de Nelson. A trilha e a luz conferem um clima perfeito a esse folhetim escrito pelo autor sob o pseudônimo de Suzana Flag. Um dos recursos que conferem mais graça à montagem talvez seja a interpretação das rubricas. No entanto, ele é também o responsável por torná-la quase enfadonha. Eu disse quase. Porque antes que isso aconteça, o espetáculo chega ao fim. Ainda assim, a sensação é de que poderia ser um pouco mais enxuto. Detalhe importante, estreias dificilmente servem de termômetro para a temperatura que vai se atingir ao longo da temporada. A despeito de tudo, é um espetáculo que confirma o rótulo  "trupe de teatro muito importante cuja trajetória merece um olhar atento" e acrescentaria, ainda, muito talentosos, todos.  

Por hoje é isso, amanhã tem mais.

 

 



Escrito por Erika Riedel às 11h30
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Vale Tudo, Só Não Vale Perder

E eu ia escrever um texto emocionado pra falar de como me sinto feliz por retomar este blog aqui, em Curitiba, onde tudo começou, mas é óbvio que me sinto feliz, assim, o texto, como toda obviedade, ficou desnecessário, portanto, vamos ao que realmente importa.   Pra começar, ou recomeçar, um musical que está em cartaz em São Paulo e, na sequência, comento o que assistir aqui.  

 


Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1942. Foi batizado Sebastião Rodrigues Maia, mas conquistou o coração do Brasil como Tim (que ele considerava um tanto afrescalhado) Maia. 


Ao longo de seus 55 anos, findos em 15 de março de 1998, experimentou do sucesso ao ostracismo. Fez muitos amigos e alguns desafetos importantes, que lhe renderam razoáveis aborrecimentos e vários processos. Foi contratado para inúmeros shows. Fez muitos. E deixou de comparecer a vários. Bebeu a vida com fúria e também portou e provou uma expressiva quantidade de drogas lícitas e ilícitas. Quando necessário, soube se reinventar. Foi um artista genial e, como tal, temperamental.

De  talento singular, cantou, tocou (ainda que sem saber ler partituras), compôs, produziu e foi empresário. Um dos primeiros artistas independentes do Brasil e, com certeza, uma das mais belas vozes de nossa música. Nos anos 1970, aderiu à filosofia Racional Superior, período em que abandonou as drogas e o álcool e fundou seu próprio selo musical. Mais tarde, ao descobrir que seu mentor espiritual não era assim tão espiritualizado, deixou de lado a crença e retomou a fé no suingue e, claro, nas drogas.

Recuperou a ideia de ter sua própria gravadora, anos mais tarde. E a rebatizou de Vitória Régia. No fim da década de 1990, com sérios problemas financeiros e de saúde, Tim sentiu-se mal durante um show e foi hospitalizado. Não voltou para casa.

Essa é a história contada nos 160 minutos de “Tim Maia – Vale Tudo, O Musical”, escrita por  Nelson Motta, amigo do cantor durante toda a sua vida e autor de sua biografia.
 
Quando Tim Maia morreu, Tiago Abravanel era uma criança de 10 anos e, provavelmente, pouco sabia da obra e vida do artista. Tiago cresceu, tornou-se ator e investiu em musicais. Constam de seu currículo sete. O sobrenome (para quem não sabe, ele é neto de Silvio Santos) até pesou mas não facilitou seu caminho. E Tiago nunca se valeu dele para obter quaisquer privilégios.

Se durante esse tempo não foi destaque na mídia, também não decepcionou. E fez do coro uma escola. O aprendizado e a garra o levaram do fundo dos palcos ao proscênio e à luz do refletor principal, como protagonista de “Tim Maia – Vale Tudo, O Musical”. E é nesse lugar, no centro do palco, que Tim e Tiago, que nunca se viram, se encontram.  E se misturam. Profunda e magicamente. E nos emocionam, pra valer.

Mais do que afinação e caracterização perfeitas, em sua performance, Tiago, aqui um virtuose, conseguiu captar a alma de Tim. Os trejeitos, os olhares, a malícia e a ginga. Seria fácil dizer que ele encarna o próprio Tim. Mas isso seria desmerecer todo o esforço, empenho e entrega desse jovem que, com apenas 24 anos, apresenta maturidade e domínio de cena surpreendentes.


No palco, além de Tiago, um time que não deixa o ritmo cair nunca: Izabella Bicalho, Lilian Valeska, Pedro Lima, Andreh Viéri, Bernardo La Rocque, Reiner Tenente, Evelyn Castro, Pablo Ascoli, Aline Wirley e Leticia Pedroza.

A direção musical, de Alexandre Elias, faz eco na escolha dos músicos que compõem a banda Vitória Régia (mesmo nome do conjunto que durante anos acompanhou Tim Maia) e que nesse espetáculo é composta por Claudemir Alves, Marcelo Manfra, Tottybone, Alexandre Vianna, Decko Telles, Kiko Andrioli e o próprio Elias, na guitarra.

Nos bastidores,  a mão precisa do diretor João Fonseca, conduzindo o cuidado nos detalhes, a cenografia de Sueli Guerra, a luz de Paulo Cesar Medeiros, o cenário de Nello Marrese e os figurinos de Rui Cortez.

Emocionante. Imperdível para quem sabe apreciar boa música e belas interpretações. Um espetáculo. Na maior acepção da palavra. 



Escrito por Erika Riedel às 18h20
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