O MAESTRO

“CARLOS GOMES – SANGUE SELVAGEM” Ernevaz Fregni se debruçou de corpo e alma a vasculhar a vida de um dos mais importantes compositores brasileiros. Descobriu coisas incríveis e sua pesquisa virou um drama musical dirigido por Zé Renato. Uma bela e justa homenagem ao Maestro. Está em cartaz no Teatro dos Arcos, de quinta a sáb., 21; dom.m 19h. R$ 20. Vai ver. Eu já fui.
Teatro dos Arcos R.Jandaia, 218. (trav. da Brig. Luís Antônio, próximo da Jaceguai). Tel.: 3101-7802.
Escrito por Erika Riedel às 15h04
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Dores de Amores

Foto de Alexandre Catan "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam ridículas se não fossem cartas de amor." (Fernando Pessoa) Só quem levou a pancada pode dimensionar o tamanho da dor, assim como só quem ama sabe o tamanho de seu amor. Foi pensando nisso que saí do ensaio de Dores de Amores, que estréia dia 9/7 no Teatro Frei Caneca. O texto escrito por Leo lama há 20 anos continua atualíssimo já que trata da questão atemporal descrita no título. Segundo o próprio autor, a despeito de toda a tecnologia à disposição hoje, parece que o ser humano evoluiu muito pouco nos quesitos relacionamento e trato com o seu par. Concordo. Ainda temos dificuldade em expressar nossos sentimentos, ainda temos medo de não sermos bons o suficiente, ainda temos medo de nosso amor não bastar. E metemos os pés pelas mãos e nos machucamos tanto quanto ou mais do que há 20 anos. Ainda sonhamos com um relação fake com final feliz, como aquela que conhecemos nos contos de fada. Não nos preparamos para viver a concessão cotidiana inerente ao amor. Sim porque o amor exige concessões, muitas, de ambas as partes. Das mais insignificantes, como não reclamar da luz acesa ou do rádio ligado na hora de dormir, até as mais complexas que envolvem princípios e ou crenças profundamente arraigadas. Dores de Amores levas ao palco um casal que discute não a relação em si mas como se relacionam com o que realmente importa, o amor. Otávio Martins e Melissa Vettore, que já formam um casal na série Mothern, também formam par na montagem. Com muita desenvoltura, os atores têm a dose certa de química que é necessária para contar essa história. Encenado pelas hábeis mãos de Naum Alves de Souza, o espetáculo até faz rir em certos momentos, mas não perde vista o drama da situação vivida por esses personagens. Embora o drama dos personagens soe patético, assim como as cartas de amor são ridículas na visão do poeta, é impossível ao espectador não compartilhar do sofrimento desse casal. É impossível não lembrar de quantas vezes pensamos em desistir por achar que não havia mais amor ou ou até por amar demais. Se Dores de Amores nos lembra que é impossível amar e sair ileso, também não nos deixa esquecer que é impensável viver sem amar.
Escrito por Erika Riedel às 16h19
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