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Roupa suja se lava em casa

Foto de Jô Capusso
Boa nova, o Teatrix vai muito bem obrigado. O boato de que o teatro ia fechar assustou algumas pessoas e alterou a programação de alguns espetáculos, mas isso é passado. Dia 1/8 estréia no local Ultralight, de Jarbas Capusso Filho. No elenco, Zeza Mota e Edi Fonseca. A direção é de Tatiane Daud. O texto mostra o reencontro de duas irmãs. Suzana (Zeza), uma escritora bem-sucedida, retorna à sua casa, 20 anos depois, para encontrar a irmã Julia (Edi), uma mulher obcecada pelo espírito de Marylin Monroe, prisioneira da violência e das assombrações da infância.A peça tem a colaboração de Otavio Martins no conceito da montagem. Cenários de Rogério Harmitt e figurinos de Tatiane Daud.
Estréia 1º de agosto, 21h30, no Teatrix www.teatrix.com.br
Zeza Mota também está em cartaz com a peça Flores Brancas, de João Fábio Cabral, no Teatro do Centro da Terra. 5ª e 6ª, 21h30.
Escrito por Erika Riedel às 13h20
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Estrela desconhecida

Inspirada por fatos reais Jandira Martini escreveu O Eclipse, uma história de ficção para homenagear Eleonora Duse. Se você franziu a festa é porque nunca ouviu falar na grande artista. Mas não precisa ficar encabulado por isso, a própria autora reconhece que muito pouca gente sabe da história dessa que ficou conhecida como a divina entre as divinas. A diva italiana, considerada a maior atriz dramática de sua época, esteve no Brasil por duas vezes, a última em 1907. Para se ter uma idéia da dimensão de seu talento, Stanislawski, referência mundial em interpretação (construção de personagens), criou seu método a partir da observação de Eleonora em cena. Mas, voltando ao espetáculo, dirigido por Jô Soares, Jandira leu vários livros e fez uma extensa pesquisa em jornais antigos para construir sua história - um encontro entre a diva (Jandira Martini), um imigrante italiano que preparava massas no hotel em que ela esteve hospedada (Maurício Guilherme) e Francisco Serrador (Roney Facchini), o exibidor de cinematógrafo que mais tarde se tornaria o idealizador da Cinelândia. A ação dramática ocorre em tempo real, pouco mais de uma hora, e nela Jandira pretende mostrar o ser humano por trás da artista e, de quebra, prestar uma homenagem às pessoas que fazem do teatro seu sacerdócio. Uma alfinetada ou, usando uma expressão de época, um tapa com luvas de pelica na cultura de celebridades que assola o mundo moderno.
Estréia para convidados 24/7 no Teatro Jaraguá.
Escrito por Erika Riedel às 11h37
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Quem vence a luta entre o bem e o mal?
Foto de João Caldas
Denise Fraga volta aos palcos paulistanos. Ao lado de Ary França, Claudia Mello e Joelson Medeiros, entre outros, a atriz interpreta Chen Tê, personagem central de A Alma Boa de Setsuan, texto de Brecht, escrito em 1941. Marco Antônio Braz assina a direção da história que é ambientada na China. Três Deuses, nessa adaptação transformados na Santíssima Trindade e vividos por um único ator, descem à Terra à procura de pelo menos uma alma boa. Depois de longa e infrutífera busca chegam à provincía de Setsuan e encontram a prostituta Chen Tê, que lhes dá guarida por uma noite. Na manhã seguinte, concluem ser ela a alma boa que procuravam e lhe recompensam com o pagamento pela hospedagem. O dinheiro é suficiente para Chen Tê mudar de vida. Mas as coisas não são tão simples. Dona de seu próprio negócio, Chen Tê vê explorada sua generosidade e decide se travestir como seu primo, Chui Ta, que teria vindo de longe para temporariamente tomar conta de seu negócio. Com essa decisão, Chen Tê acaba por provocar grande confusão. A situação se agrava quando recaem sobre seu primo as acusações sobre o desaparecimento de Chen Tê. A ação termina com o julgamento público de Chui Ta. Para saber o veredicto que receberá Chen Tê/Chui Ta, só conferindo a montagem, que entra em cartaz dia 26/7 no Teatro Renaissance.
Escrito por Erika Riedel às 21h36
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Pacato cidadão???

Fotos de André Stéfano
Quem nunca reclamou da nossa polícia corrupta, quem nunca se estressou com o atendente de telemarketing e seu gerúndio ou quem nunca fugiu do trânsito pelo acostamento que atire a primeira pedra. Reclamamos diariamente destas e outras agruras, mas o que fazemos concretamente pra mudar? Não, Cidadão de Papel não ensina nada. Não dá respostas prontas e nem tem a pretensão de consertar o mundo. O espetéculo apenas levanta estas e outras questões e reabre o debate sobre a cidadania. E antes que você torça o nariz, porque infelizmente a simples menção da palavra CIDADANIA hoje em dia já é quase uma ofensa, lhe asseguro que Cidadão de Papel faz isso com humor. O texto de Sérgio Roveri, a partir do livro homônimo de Gilberto Dimenstein, é composto de várias cenas curtas, o espetáculo inteiro tem apenas uma hora, que abordam temas como ética (ou a falta dela), sexualidade, preconceito, desigualdade social e outros. Embora pensada e concebida inicialmente para jovens, a montagem, dirigida por Ivam Cabral, carrega o mérito de interessar também a outras faixas etárias. Satirizando a crueza da atualidade, o elenco (composto por Alessandro Hernandez, Gustavo Ferreira, Marcos Ferraz, Priscila Dias, Rafael Ferro, Renata Bruel e Tiago Moraes) consegue incomodar/provocar na medida certa. Primeiro você ri, porque é engraçado. Depois pensa: "que horror!" E, por último, mente pra si mesmo, dizendo que jamais, nunquinha mesmo, você faria algo semelhante. Tudo bem, não faz mal. Ninguém precisa saber o que você faz ou que espécie de cidadão você é. Isto não é um tribunal. Mas, se fosse, seria ganho de causa pra essa galera que conseguiu cutucar com irreverência e inteligência a cegueira coletiva que nos impede de enxergar o desmoranamento do bom senso geral, uma das raízes da pasmaceira cotidiana e caótica em que vivemos atolados até o pescoço.
Em cartaz, somente aos sábados, às 19h, no Espaço dos Satyros Um.
Escrito por Erika Riedel às 21h20
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O CIÚMES É UM MONSTRO DE OLHOS VERDES
em Otelo, de William Shakespeare
Escrito por Erika Riedel às 19h47
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Foto de Dalton Valério
Dono de olhos tão verdes quanto os do monstro do ciúmes shakespereano, Diogo Vilela faz bom uso do atributo que a natureza lhe conferiu. É com esse olhar que ele primeiro cativa um público ávido por ver cair em derrota tanta vilaneza. Mas Diogo vai além, confere momentos de humanidade e empresta até um pouco de humor a esse ser mesquinho e tão belamente descrito em Otelo pelo genial autor inglês. Na sua boca, as palavras e a mente aguçada de Iago, não perdem a força e ou propriedade. Ao contrário, são realçadas por uma dicção perfeita que nunca é enfadonha. Seu carisma é outra arma poderosa a serviço da montagem, que infelizmente peca no detalhe. A trilha sonora ruim, e alta demais, desvia a intenção em vez de reforçar o clima. E os praticáveis prejudicam a ação dramática, uma vez que forçam os atores, todos sem exceção, a constantemente desviar os olhos do público e olhar para baixo com medo de tropeçar ou cair. Não fariam falta nenhuma se não estivessem ali. Mas nada disso, porém, tira o brilho e a intensidade do Iago que Diogo nos apresenta. Cheio de verdade, crueldade e absolutamente contemporâneo. Diogo chegou a cogitar interpretar o papel de Otelo, aqui representado por Marcelo Escorel, mas o destino lhe reservou Iago, um homem sem escrúpulos, ávido por vingaça e poder. E Diogo soube conferir a crueldade necessária a esse ser amoral que infelizmente deixou de ser ficção há muito tempo.
Em cartaz no Teatro Raul Cortez.
Escrito por Erika Riedel às 17h14
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