Terceiro Sinal


Um Carinho ou Do Que Me Diz Respeito

Isto não é sobre você

É sobre mim

Não é sobre seus sentimentos ou sua disposição

É sobre o que eu sinto e como isso me afeta

Não é sobre o que você quer e insiste em saber

É sobre o que eu não quero falar

Isso não é sobre seus desejos 

É sobre minha expectativa

Isso não é sobre seus problemas

É sobre minhas esperanças

Não é sobre o tempo

É sobre o espaço

Isso não é sobre nós

É sobre mim

Não depende de você

Sou só eu

Ou eu só.

 



Escrito por Erika Riedel às 18h31
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Sobre tudo

foto de Carol Sachs/Divulgação

Uma história de amor não precisa ser melosa, nem cheia de beijos e nem mesmo de encontros. Uma história de amor pode se valer de metáforas, de comparações estapafúrdias, de ausências. Uma história de amor pode ser verdadeira, eterna. Ou falsa, fictícia, fantasia de uma cabeça. Nem por isso, necessariamente,  menos intensa. Uma história de amor pode ter nascido somente para ser escrita, lida ou encenada. E pode falar de todo e qualquer amor ou desamor pelo objeto de sua paixão, por uma terra, ou por um dia em que o sol insiste em brilhar sobre uma alma congelada. Tudo isso, nada disso, mais do que isso está no belíssmo espetáculo Não Sobre o Amor, de Felipe Hirsch (que também assina a direção) e Murilo Hauser, sobre a obra de Victor Shklovsky, Elsa Triolet, Vladimir Maiakovski e Lilia Brik Em cena, Leonardo Medeiros e Arieta Corrêa esbanjam talento e sensibilidade no deslumbrante e criativo cenário de Daniela Thomas. Uma viagem imperdível por um território onde afinal somos todos estrangeiros.  



Escrito por Erika Riedel às 19h10
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Adeus

Conheci o Renato Andrade alguns anos atrás. Fui ver um espetáculo seu chamado Retratos e Canções, me apaixonei pelo que vi e fiz uma matéria. Tempos depois, nos tornamos grandes amigos. Hoje, além do respeito profissional, tenho por ele imenso carinho. Ontem foi o último dia de outro espetáculo seu, Amor, Meu Grande Amor, e combinamos de jantar depois da peça, que conta, é claro, histórias de amor. São três, uma delas, especialmente tocante, a de um grande amor vivido por sua avó. Saí emocionada e, enquanto aguardava a saída do Renato, me sentei com amigos numa mesa na calçada da minha amada Roosevelt. Engatamos um papo animado até sermos interrompidos por um "artista de rua", pelo menos foi assim que aquele rapaz negro e maltrapilho se apresentou. Em troca de algum dinheiro, oferecia uma canção, a ser tocada em uma encardida flauta de plástico. Vasculhei a bolsa mas só encontrei uma nota de 50 reais. Já ia desistir quando lembrei de umas moedas que recebera de troco. Contei, 1 real e 35 centavos. Ofereci ao rapaz que agradeceu e perguntou se eu preferia um chorinho ou uma música do Chico. Respondi, meio sem graça, que por aquela quantia ele mesmo poderia escolher a canção. Ele sorriu e anunciou um chorinho de Waldir Azevedo. Quando terminou de tocar, tive que me conter pra não sacar os 50 reais e entregar a ele. Era realmente um artista. A mesa aplaudiu e ele se foi, deixando a noite gelada ainda mais fria. Despedidas são sempre tristes, sejam elas de uma montagem, de um grande artista ou de um grande amor, por ínfimo que tenha sido.



Escrito por Erika Riedel às 16h26
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Na telinha

Domingo (11), às 23h, estréia a nova temporada de teleteatros da TV Cultura. Batizado de Direções, o projeto inaugura sua segunda fase com A Noiva, de Ivam Cabral, dirigido por Rodolfo García Vázquez. Li o roteiro e fiquei muito emocionada com a história de Maria, um moça do interior, cujo maior sonho é casar-se de véu e grinalda. Além do texto belíssimo, o Ivam ainda é autor da trilha criada com o maestro Amalfi. Pra quem não sabe, o Ivam tem um jeito muito peculiar de compor, quando ele tem uma idéia, liga pra sua própria casa e catarola a melodia para sua secretária eletrônica. Aí, entra em cena o maestro Amalfi. Não é genial? No programa que vai ao ar domingo, as deliciosas composições são interpretadas por um time de peso e respeito: Alaíde Costa, Zeca Baleiro e Gero Camilo, que também está no elenco ao lado de Bárbara Bruno, Norival Rizzo, Cléo de Páris e Silvanah Santos, entre outros. Eu não perco! A série continua com mais sete programas, de um diretor mais talentoso que o outro: André Garolli, Bete Dorgam. Débora Dubois, Eduardo Tolentino de Araujo, Georgette Fadel, Maucir Capanholi e Samir Yazbek.

 




Escrito por Erika Riedel às 18h40
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Ganhando o mundo

Amanhã (6/5) estréia PRET-À-PORTER-COLETANEA. É a primeira vez que o projeto se apresenta fora da casa onde nasceu e cresceu, o Sesc Consolação. E eu estou muito curiosa pra ver o resultado do vôo que com certeza não será curto. Um passarinho me disse que depois do Sesc eles esticam as asinhas pra outras paragens... Mas isso é outra história... por enquanto, eles estão em cartaz toda terça, até 24/6, 20h, no Sesc Paulista. Merda!!! pra Anna Cecília Junqueira, Arieta Corrêa, Emerson Danesi e Marcelo Szpektor.

 


Escrito por Erika Riedel às 21h42
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Sem meias

 

 

O Rafa, meu amigo, tem um bordão que acho ótimo: "enquanto eu estiver de meias, eu explico". No começo, ele se referia a ser pego em flagrante em uma pulada de cerca mas, com o tempo, aprimorou a tática e, hoje em dia, se diz capaz de explicar qualquer coisa se ainda estiver de meias. Pensei muito nele nas ultimas semanas e cheguei à conclusão que ou me faltam meias ou sou uma incurável romântica. Porque acredito no ser humano, me espanto com o grau exacerbado da maldade e não entendo esse seguir adiante como se nada tivesse acontecido. Tempos cruéis...  Tão cruéis que meu amigo que me desculpe mas esse momento acho que nem o Rafa consegue explicar. Enfim, para tentar aquietar o coração fui rever duas montagens neste fim de semana: Divinas Palavras, dos Satyros, e 17 X Nelson, da Antikatártika Teatral.  

Ambas com casa lotada e fila de espera. Coisa boa de ver.  É sempre um alento, uma espécie de bálsamo, ver Ivam Cabral em cena. Também gostei demais de ver o carisma e a força de Zé Ferro. Falo especialmente dos dois porque acho que têm algo em comum, uma paixão tão grande pelo seu ofício que extrapola o palco e contamina a platéia. Era só o que eu precisava pra me lembrar que a vida está cheia de momentos mágicos, que a gente também não sabe direito como explicar, nem usando as incríveis meias do Rafa. 



Escrito por Erika Riedel às 16h49
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