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Tempo para pensar
...na explicação do inexplicável...
Escrito por Erika Riedel às 16h44
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A Marina errada
Domingo, 3 da tarde. Um tédio dominava Marina. Jogada no carpete verde do seu quarto de 19 anos, ouvindo Beatles na vitrola (naquela época era vitrola mesmo), se abandonou ao ócio. Pensava num roqueiro por quem estava louca e platonicamente apaixonada. O cara era seu vizinho e ela não saía da casa dele. Tinham muitos amigos em comum e Marina sempre conseguia um bom pretexto para estar por perto. Não adiantava nada, o sujeito não lhe dava a mínima. Mas como ninguém desiste de um amor sem futuro quando tem 19 anos, a garota tinha fé. Um dia ia rolar. Tinha certeza. Naquela tarde, nem ouviu a campainha do telefone, mas se assustou quando a mãe gritou da sala que a mãe do moço estava na linha. Com o coração aos saltos e a cabeça girando (de desentendimento e também porque levantara depressa demais do chão) foi atender. Dona Lara nem a deixou falar e foi dizendo: – Queridinha, o Marcus saiu com o irmão e o pai, volta às 18h, você acha que pode estar aqui nesse horário? Feliz mas intrigada, Marina nem pensou, claro que iria. Mas sem perceber, perguntou por quê? Sem ter idéia do estrago que uma pergunta como essa poderia causar. Dona Lara mudou o tom de voz imediatamente e respondeu com outra pergunta: – Mas com quem eu estou falando afinal? – Com a Marina, dona Lara. A senhora não ligou pra mim? – Que Marina? – Como assim, que Marina, que papo estranho...A senhora está brincando comigo? Após um silêncio de 10 segundos e um forte suspiro dona Lara responde. - Ai.... queridinha... me desculpe... liguei pra Marina errada. E sem maiores explicações nem despedidas desligou o telefone. Atônita, Marina não sabia o que pensar. Mas recorreu aos amigos pra desvendar a conversa surreal. E terminou aquele domingo chorando perplexa, quando finalmente descobriu que Marcus amava Marina. Mas era a Marina errada...
Escrito por Erika Riedel às 20h03
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Sampa!!! eu te amo!!!!
Meia-noite, a Praça da Sé, nosso marco zero, está apinhada de gente. No Largo São Bento, de frente pro Mosteiro, uma galera feliz dança uma música que só eles podem ouvir, participam do Silent Disco, discotecagem para fones de ouvido. Mais tarde, à 1h30 de uma madrugada linda, eu e alguns amigos estamos sentados na Praça Dom José Gaspar, recentemente restaurada, ouvindo um cara tocar piano. O nome de Vitor Araujo nem constava da programação oficial da Virada Cultural, bobeada da organização. O menino de Recife é um prodígio e foi lindo conhecer um pouco de sua arte. Hoje, às 18h, ele lança um CD no Auditório Ibirapuera. Enquanto ouvia Vitor tocar Claudio Santoro, Villa-Lobos e Chico Buarque, eu só pensava em como Sampa é incrível. E me lembrei do meu querido Ivam Cabral, que sempre disse que o povo tinha de conquistar as ruas. Sua batalha até transformar a Praça Roosevelt no lugar bacana que é hoje mostra que o sonho é possível. A noite de ontem mostra isso também. Reencontrar e redescobrir minha cidade foi, para mim, a melhor atração da Virada Cultural.
Escrito por Erika Riedel às 17h36
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Três em um
Fui ao Sesc Avenida Paulista ver Sonhos e Ohnos, espetáculo de repertório do Caixa de Imagens que homenageia o mestre do Butô, Kazuo Ohno. Como sempre, a poesia e o lirismo do Caixa de Imagens é encantadora. Sou fã de carteirinha da trupe. Esse trabalho segue o formato que batizou o grupo e é apresentado em uma pequena caixa de madeira, onde um espectador de cada vez aprecia a performance de 3 minutos de um boneco/ator de cerca de 10 centímetros. Mais uma vez, saí pensando quanto vale o privilégio de ver um espetáculo que só eu vi? Mais do que acreditar em sonhos, o Caixa de Imagens nos prova que eles são possíveis. Ainda tem sesões hoje entre 16h e 19h e sábado e domingo que vem (grátis).
Mais tarde, fui conferir Navalha na Carne, com Gero Camilo, Gustavo Machado e Paula Cohen. O elenco tem bons momentos e a direção de Pedro Granato para o clássico de Plínio Marcos tem sacadas legais, mas eu esperava mais. Faltou tensão à história da prostituta Neusa Sueli, do cafetão Vado e de homossexual Veludo. Faltou drama, ficou uma história leve, digerível e acho estranho ver um Plínio tão suave, parece que não é ele. Senti falta do corte afiado da navalha de um de nossos maiores autores.
E, ainda no Sesc, fui passear pela exposição Japão - Brasil 100 Anos Tokyogaqui, que ocupa dois andares, o quinto e o nono. Belíssimamente ambientada. Vale a pena dar ao menos um voltinha por lá. Com calma, porque há muito para ver. Fica em cartaz até 4/5.
Escrito por Erika Riedel às 14h44
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